Levou-me a um submundo obscuro
famigerada caverna
impregnava-a o odor da carne
moqueada, e em volta do moquém
meu tio e minha mãe
assavam partes de mim
não me assavam em paz
não me assavam por amor
assavam para comer
teciam meus defeitos
relembravam minhas desditas
enquanto assavam
no fundo da caverna
havia insetos
que devoravam-se uns aos outros
preciso fazer refeições mais leves
antes de dormir
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
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3 comentários:
li algo que você escreveu no site do antonio cicero e de que gostei muito, algo sobre nietzsche ser um poeta adolescente, em vez de filósofo do pessimismo. sempre o vi mesmo dessa forma, e sempre achei que isso era o que eu mais gostava nele, o que mais me identificava com ele, o lado que não pára, que permanece querendo olhar atrás da porta, o lado que não se contenta, e não sabe, mas não pede socorro também. mas eu não sabia como conceber isso, e quando li o que escreveu sobre um trecho de nietzsche postado pelo antonio candido no site dele, então isso finalmente se esclareceu para mim: gosto de nietzsche pelo seu espírito adolescente, indomável. desconfio que hitler o levava mais a sério.
um grande abraço e, aliás, o final desse poema "Introdução" quebra muito bem a expectativa de todo o texto.
Beleza, Pedro. Gostei.Vamos pensar en montar um grupo de literatura ? Ao modo dos antigos "Grêmios Literários" ? Assim: tomar cerveja, conversar, trocar textos, etc. Depois me manda um negocinho pra gente postar no "Quintal", valeu ? Estarei de volta a BH depois do dia 26. Grande abraço, Alexandre Campinas
Muito doido!
Fico imaginando por que eu vim parar nesta caverna. Neste ano de 2007. Essa mulher com cheiro de carne espetada, assada, torturada... Esse lobo... Fiquei com medo, incomodada (tome isto como um elogio a suas habilidades poéticas).
E olha que é só a introdução!
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